Vela de Ignição

 

Velas de ignição são um dos mais misteriosos componentes do motor. Várias questões têm deixado as pessoas confusas. As velas são a janela para o que acontece dentro do motor e podem ser usadas como uma ferramenta de diagnóstico para mostrar os sintomas e condições da queima na câmera de combustão.

A vela tem duas funções principais; provocar a ignição da mistura e remover calor da câmera de combustível. A temperatura da vela precisa ser fria o bastante para prevenir a pré-ignição, mas quente o suficiente para previnir o acúmulo de depósitos que poderiam causar a falha na vela.

 
O grau térmico da vela de ignição é a capacidade que a vela tem em remover calor da câmera de combustão. Ele é determinado pelo comprimento do isolante de cerâmica central e sua habilidade de absorver e transmitir o calor. Então, uma vela fria tem um isolador mais curto e absorve mais calor da câmera de combustão. Este calor percorre uma distância menor e permite à vela trabalhar a uma temperatura mais baixa. Uma vela fria é necessária quando o motor é usado com muita carga ou em altas rotações.

Abaixo uma lista de fatores que podem afetar a temperatura de operação das velas de ignição.

A proporção da mistura ar-combustível afeta a performance do motor e o funcionamento da vela de ignição. Uma mistura rica abaixa a temperatura da ponta do eletrodo central causando o acúmulo de depósitos de carvão o que pode levar a vela a falhar. Mistura pobre causa um aumento da temperatura em toda câmera de combustão resultando em pré-ignição, detonação e pode danificar o motor.

Aumentar a taxa de compressão eleva a temperatura da vela e do cilindro internamente. A compressão pode ser aumentada reduzindo o volume da câmera de combustão (piston convexo, junta de cabeçote mais fina, cabeçote rebaixado, biela maior), adicionando algum sistema de admissão forçada (turbocompressor, óxido nitroso, blower).

Um avanço no tempo de ignição de 10° causa um aumento de temperatura de aproximadamente 70°-100°C.

Aumentos de temperatura na ponta da vela de ignição são proporcionais à carga e rotação do motor. Quando estiver andando constantemente a altas velocidades ou forçando o motor, instale uma vela mais fria.

Queda na temperatura ambiente causa aumento na densidade do ar resultando em uma mistura pobre. Isto cria um aumento na pressão e temperatura do cilindro. Então se deve corrigir a proporção de mistura.

Aumento da umidade do ar diminui o volume de oxigênio na admissão. Resulta em menores pressões e temperatura na câmera de combustão. Diminui a temperatura da vela e a potência do motor.

Aumentando a altitude diminui a pressão barométrica. A temperatura no cilindro diminui, bem como a temperatura na vela. Ajuste a mistura ar-combustível.

Tipos de combustão anormal.

Pré-ignição é a queima da mistura antes do tempo ideal. É causada por pontos quentes na câmera de combustão, tempo de ignição adiantado, vela de grau térmico quente, combustível de baixa octanagem, mistura pobre, alta taxa de compressão ou sistema de refrigeração deficiente. Pré-ignição usualmente leva à detonação.

Detonação é o pior inimigo da vela de ignição. Pode quebrar os isoladores e a ponta dos eletrodos pode chegar a mais de 1500°C durante a combustão. É mais frequentemente causado por pontos quentes na câmera de combustão. Os pontos quentes fazem a mistura ar-combustível inflamar-se o que força o piston para baixo quando o piston está subindo empurrado pela biela. O resultado é uma onda de choque e um som audível (grilando). Falha na faísca ocorre quando a vela não consegue provocar a ignição da mistura na câmera de combustão no momento certo. (poucos graus antes do ponto morto superior)

Uma vela pode dar uma faísca ruim ou não dar faísca por vários motivos; bobina defeituosa, muita compressão, folga dos eletrodos incorreta, vela suja ou molhada, tempo de ignição insuficiente... Falhas na queima podem causar perda de potência e excessivo consumo de combustível.

A vela pode deixar de provocar faísca quando a temperatura dos eletrodos não é suficiente para queimar os depósitos de carbono, combustível, óleo ou outros depósitos. A faísca não salta entre os eletrodos.

Diagnóstico da vela.

Passe o mouse sobre a figura.

Resíduos de impurezas. Impurezas ou aditivos na gasolina ou no óleo, que não são queimados totalmente. Carbonização seca. Mistura rica, ignição atrasada, filtro ar sujo, faísca fraca, uso excessivo do afogador, funcionamento em baixa rotação por muito tempo, vela muito fria. Carbonização úmida. Anéis/piston desgastado, excesso de óleo misturado á gasolina. Encharcamento. Motor afogado, umidade ou água no sistema de alimentação, folga entre os eletrodos fora do padrão, problemas no sistema de ignição. Superaquecimento. Ponto de ignição adiantado, mistura pobre, deficiência no sistema de refrigeração, aperto insuficiente na vela, combustível com baixa octanagem, vela muito quente. Isolador quebrado. Expansão térmica ou choque térmico originado por aquecimento ou resfriamento bruscos ou pelo choque mecânico da detonação, ferramenta incorreta para regulagem da folga. Pré-ignição. Ponto de ignição excessivamente adiantado, deficiência no sistema de refrigeração, resíduos de impureza incandescentes na câmera de combustão, vela muito quente. Uso normal. Depósitos de coloração marrom, marrom claro, cinza ou cinza claro. Fim vida útil. Folga entre os eletrodos aumentada, eletrodos com as quinas arredondadas.

 

Instalação

Limpe a área ao redor da vela antes da removê-la para evitar que caiam sujeiras no interior do motor. Sempre instale as velas com o motor frio. Regule a folga entre os eletrodos. Comece atarraxando a vela com as mãos e somente dê o aperto final com a chave. O torque de aperto influi diretamente na habilidade da vela em transferir calor para fora da câmera de combustão.

Tabela de torques de aperto.

Tipo de assento
Diâmetro da rosca
Cabeçote de ferro fundido
Cabeçote de alumínio
Plano com anel de vedação.
18mm
3,5 a 4,5 kgf.m
3,5 a 4,0 kgf.m
14mm
2,5 a 3,5 kgf.m
2,5 a 3,0 kgf.m
12mm
1,5 a 2,5 kgf.m
1,5 a 2,0 kgf.m
10mm
1,0 a 1,5 kgf.m
1,0 a 1,2 kgf.m
Cônico sem anel de vedação.
18mm
2,0 a 3,0 kgf.m
2,0 a 3,0 kgf.m
14mm
1,5 a 2,5 kgf.m
1,0 a 2,0 kgf.m

 

Terminal Supressivo (Cachimbo)

Fabricante
Moto
Bosch
NGK
AGRALE
W 16, Canyon
-
LDO5FP
Elefantre 30.0, Dakar 30.0, Elefantre 27.5, Explorer27.5, SXT 27.5/E, Elefantre 16.5, SXT 16.5, SST 13.5
F 000 99C 901
LDO5EP
HONDA
XL 250, XLX250, XLX350, NX 350
F 000 99C 902
SDO5FMGC
XR 200R, NX 200, XL 125S, Duty
F 000 99C 900
LDO5FP
SUZUKI
DR 800S, DR 650RSE, DR 650RE
F 000 99C 903
XDO5F
RM 80, RM 250, RMX 250
F 000 99C 901
LDO5EP
YAMAHA
XTZ 750 Superténéré, XT 600E, XT 600Z Ténéré
F 000 99C 903
XDO5F
DT 200, DT 200R, DT 180, MX 180
F 000 99C 901
LDO5EP

 

Fonte: NGK
  Revista Motoshow ano 11 Nº 2
  Catálogo Bosch Cycle
   
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Extra: Protetor para levar a vela na pochete.

 

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